Ano de produção: 2000 - Tempo de duração: 51 min versão integral


Hoje em dia, passados mais de dez anos, eu entendo melhor, que Santa Clara é um filme de busca tímida, porém extremamente pessoal. uma busca, uma tentativa minha de dar conta da ausência da Clara Nunes, uma cantora que me orbita em proximidade a cada vez que escuto sua música. A música, a voz desencorpada, a fantasmagoria da presença sem corpo.

O formato deste filme, meu primeiro documentário, está muito ligado ao meu fascínio após assistir Santo Forte, de Eduardo Coutinho. A posibilidade de fabular a partir das palavras, de “filmar as palavras” foi uma questão movente, principalmente dada a vontade de investigar a biografia da cantora Clara Nunes a partir das memórias e fabulações de seus fãs. Por sua ligação com a iconografia afro-brasileira, a relação de presença mesmo após a morte, e os ritos de concretude são ações muito fortes. Por isso, muitos dos fãs quais conheci e pesquisei, encontrei enqunato fazia vigilia no túmulo da cantora, no Cemitério São João Batista. Lá eles se reunem, fazem pedidos, e elaboram essa fantasmagoria que inspira, cria, e movimenta nossa cultura brasileira. essa reunião e essa concretude do objeto túmulo é, pois, uma situação de produção de poesia ao redor de toda a história de Clara. Foi essa poesia que moveu a feitura desse filme.

 

ficha técnica:


direção: Felipe Ribeiro

orientação: Maurício Lissovsky


produção:    Tatiana Azevedo

cinematografia: Tito Nogueira

montagem:  Tatiana Azevedo

                    Felipe Ribeiro

assistentes de câmera:     Nelson di Santi

                                           Moacir Urbano

realização: ECO/UFRJ e Grão Produções









Santa Clara foi lançado no Espaço Cultural dos Correios em julho de 2000, tendo depois percorrido alguns festivais dentro dos quais se destaca a mostra do filme etnográfico do Rio de Janeiro, e apresentado no Brazilian Seminars da Columbia University em NY.

Santa Clara